Liège-Bastogne-Liège 2026: tudo o que você precisa saber sobre La Doyenne
A corrida mais antiga do mundo.
4/23/20263 min ler


A Liège-Bastogne-Liège nasceu em 1892, tornando-se a mais velha das cinco Monumentos do ciclismo — daí o apelido carinhoso de La Doyenne, "a decana". Ela é anterior a Paris-Roubaix (1896), ao Giro di Lombardia (1905), a Milano-Sanremo (1907) e ao Tour das Flandres (1913).
A mitologia da prova tem dois pilares. O primeiro é Eddy Merckx, que venceu cinco vezes entre 1969 e 1975, recorde que ninguém chegou perto de igualar. O segundo é a lendária edição de 1980 — "Neige-Bastogne-Neige": Bernard Hinault atacou a 80 km do fim sob nevasca e temperatura próxima de zero, venceu com quase 10 minutos de vantagem e disse ter perdido sensibilidade permanente em um dedo por causa do frio. Dos 174 que largaram, apenas 21 chegaram.
Na era moderna, Alejandro Valverde venceu quatro vezes (2006–2017), Remco Evenepoel foi campeão em 2022 e 2023, e Tadej Pogačar venceu em 2021, 2024 e 2025, sempre com solos avassaladores a partir da Côte de la Redoute.
O percurso de 2026
Com 259,5 km e 11 côtes classificadas (7,5 km a mais que em 2025), a prova sai e chega ao Quai des Ardennes, em Liège, passando por Bastogne no ponto mais ao sul antes de escalar as Ardenas no retorno. O desnível acumulado é de aproximadamente 4.200 metros.
A corrida fica tranquila até Bastogne. O inferno começa depois, com um bloco de subidas encadeadas:
Wanne → Stockeu → Col du Rosier → Desnié. Aí vêm as duas que realmente decidem tudo:
Côte de la Redoute (–34 km): 1,6 km a 9,4% de média, rampas de até 20%. O "juiz de paz" da prova desde 1974 — foi aqui que Pogačar abriu sozinho nas últimas duas edições.
Côte de la Roche-aux-Faucons (–13 km): 1,3 km a 11%, último lançamento antes de Liège. Quem chegar aqui em grupo ou na roda do líder ainda tem chance.
A novidade de 2026 é a reinserção do Col du Maquisard (ausente desde 2020), encaixado entre o Rosier e o Desnié para tornar o bloco final ainda mais exigente.
Quem pode vencer
Tadej Pogačar (UAE Team Emirates-XRG) parte como favorito absoluto. Uma quarta vitória o deixaria empatado com Valverde e Argentin como segundo maior vencedor histórico da prova, atrás só de Merckx. A temporada 2026 é absurda: ganhou Strade Bianche, Milano-Sanremo e o Tour das Flandres. Poupou Amstel e Flèche Wallonne para descansar — exatamente o que fez antes de vencer em 2024 e 2025.
Remco Evenepoel (Red Bull-BORA-hansgrohe) chega em grande forma: ganhou a Amstel Gold Race há uma semana, superando Skjelmose por apenas 1 segundo. Bicampeão da LBL, tem agora uma equipe mais forte ao seu lado, com Roglič e Landa como cartas na manga. Sua missão é chegar à Roche-aux-Faucons colado em Pogačar.
Paul Seixas (Decathlon CMA CGM) é a história da temporada. Aos 19 anos, venceu a Volta ao País Basco e ganhou a Flèche Wallonne na última quarta-feira com uma aceleração impressionante no Mur de Huy. A dúvida é física: 259,5 km é maior que qualquer prova que já disputou na elite. Mas quem o viu subir na Flèche não aposta contra.Na disputa pelo pódio entram ainda Tom Pidcock, Mattias Skjelmose e Ben Healy, que adora um longo solo antes da Redoute.
Como assistir no Brasil
A transmissão ao vivo no Brasil é pela ESPN (TV fechada) e Disney+ Premium (streaming). A Bélgica em abril está em CEST (UTC+2), ou seja, 5 horas à frente de Brasília.
ProvaLargada (BRT) Chegada prevista (BRT)Masculina (259,5 km) 05h00~11h20
Feminina (156 km)08h30~12h50
A ESPN costuma entrar ao vivo cerca de duas horas antes da chegada, cobrindo o bloco decisivo a partir do Col du Rosier. O canal exato (ESPN, ESPN 2 ou ESPN 3) é confirmado na grade na véspera. Não há transmissão gratuita ao vivo no Brasil — Cyclingnews e Velo fazem live blogs em texto para quem não tem a assinatura.
Fontes: Cyclingnews, CyclingArchives, Olympics.com, IDL Pro Cycling, Domestique Cycling, PezCycling News, Wikipedia.
